Debate no Palácio de Palhavã 09h00 15/10/2019

 

 

O Palácio de Palhavã de Lisboa, residência oficial da Embaixadora de Espanha voltou a acolher no passado dia 15 de outubro o segundo debate do ciclo de conferências promovido por um grupo de gestoras membros da Câmara de Comércio e Indústria Luso Espanhola e a Embaixada de Espanha.

Não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se adaptam, sustentava Charles Darwin, citado por Juan Manuel Tomé, da Cepsa, na sua apresentação sobre o impacto da tecnologia no percurso profissional, no decorrer do segundo debate do ciclo “Ser e estar no mundo profissional - uma partilha de experiências e vivências”,

“O mercado complica-se mais à medida que as novas tecnologias evoluem, surgindo novos players e nova regulação”, observou o gestor, lembrando como novas criações abalaram o mercado: “O smarthphone da Apple destronou a Nokia da liderança; o CD destronou o vinil, que foi destronado pela possibilidade de descarregar música, que, por sua vez, foi abalada pelo Spotify.” Da mesma forma, a criação dos drones veio revolucionar vários setores, trazendo inúmeras possibilidades de avanço.

Vicente Huertas, da Minsait (grupo Indra), assinalou que se espera que “cerca de 47% dos empregos atuais vão poder ser atribuídos a robôs dentro dos próximos 30 anos, mas vão surgir outros que só poderão ser assegurados por humanos”. Esta perspetiva alerta as empresas para mudarem rapidamente de paradigma. “Teremos que trabalhar muito e rápido para acompanhar os desafios que a tecnologia nos coloca”, argumenta o gestor, explicando que isso significa “trabalhar mais e melhor em equipa, com menos hierarquia, trabalhar com os parceiros, analisar cada vez mais e com mais rigor os dados (data science), externalizar já que é preciso perceber que, muitas vezes, os especialistas estão fora da organização”. O gestor defende ainda que “o talento tem que ser cuidado”.

O número de empresas que operam no setor tecnológico aumentaram, bem como o número de empresas unicórnios (as startups tecnológicas avaliadas em mais de mil milhões de dólares). Verifica-se também uma mudança do eixo de poder económico. Nuno Matias, do grupo que detém as empresas de registo Dominios e a Amen, recorda que no século XVII, 80% do PIB mundial se concentrava na Ásia, mas no século XIX, essa área geográfica respondia apenas por 5% do PIB. O gestor frisa que os investimentos que a China e o Japão estão a fazer em tecnologia estão a mudar os centros de poder económico para a Ásia. Exemplo disso é o investimento, liderado pela China, na tecnologia 5G. “Os EUA e o Japão também estão a investir bastante, mas a Europa está a investir muito menos”, notou. Em Portugal, prevê-se que esse investimento arranque em 2020.

O gestor realça que a tecnologia deve melhorar a experiência do utilizador, já que “quanto melhor for a experiência, e mais sofisticada e qualitativa for a informação disponibilizada, maior será o lucro.

Nuno Matias considera ainda que a discussão sobre o impacto da tecnologia deve passar pela reflexão sobre “como queremos que os nossos filhos se preparem para o futuro”, observando que há inclusivamente tarefas atualmente executadas por médicos que no futuro poderão ser feitas por robôs. “Estes novos cidadãos e consumidores irão rejeitar marcas que não sustentáveis”, salienta Vicente Huertas”, que também alerta para a cada vez maior responsabilidade da administração pública no seu papel de regulação. A esta função, Juan Manuel Tomé acrescenta o dever de proteção dos cidadãos dos riscos que as novas tecnologias também favorecem, nomeadamente no que diz respeito à proteção de dados.

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